Devia ter mais de 60 anos, o vestido marrom com estampa florida, um casaquinho de lã bege, uma sapatilha de tecido preta. Na cabeça um lenço rosa amarrado de modo antigo. Ela caminhava vagarosamente puxando um carrinho desses de levar para feira com algumas sacolas dentro. Vinha do mercado era o que dava para perceber. Antes de atravessar a rua parou. Não vinha nenhum carro na pista. Deve ter se cansado, pensei. Talvez precisasse de ajuda para atravessar. Então enfiou a mão na bolsa em busca de algo. Coitada, deve ter perdido ou esquecido algo no trajeto, imaginei. Enfim ela parece que achou o que procurava e ao retirar a mão da bolsa trouxe junto um celular. Atendeu a ligação, depois de alguns minutos desligou, guardou o celular e no seu passo lento atravessou a rua. Comecei a rir sozinha. Preciso rever meus conceitos.
Poção de Palavras
18.8.07
17.8.07
Durante uma palestra na pós na última terça-feira a palestrante faz uma rápida pesquisa sobre uso de internet.
Usam pra quê? Quem tem orkut? Quem tem blog? Só eu levanto a mão. Lembrei do blog! Vou voltar a postar!
15.4.07
A vida parece mesmo estranha nestes tempos. Leio várias dicas de como viver bem. Adote um bicho, cultive plantas, tenha um tempo só para você, pratique esportes, alimente-se saudavelmente, tenha amigos! Tudo não parece óbvio? Mas não é. Precisamos de dicas de revistas e livros, pagamos cursos e palestras para ouvir o que natural: é preciso se cuidar. Ver a vida sob outro prisma além daquele que resume tudo a uma correria desenfreada a lugar algum. Pagamos para nos ensinarem a viver. Esquisito isso.
4.2.07
O silêncio me acompanha
Silencio o silente silêncio
Seu alarido alado me incomoda
Fecho a porta
e grito.
30.12.06
Cidade Natal
O calor,
o sono depois da praia,
cheiro de castanholas.
Coisas familiares que parecem estranhas
Coisas que não mudam
Coisas que mudam rapidamente
e não deixam saudades.
Nada disso é poesia,
mas depois de dez dias
rimo com a palavra
cidade.
21.12.06
Sempre volto de São Paulo revigorada. É sempre uma felicidade ver aquele monte de concreto, o caos, o trânsito, a pressa. Pode parecer loucura, mas é o que sinto. É pôr o pé na cidade para sentir a vida fluir, algo que obriga o movimento, a ação, não sei explicar bem. O que sei é que meu cérebro acende uma luzinha, trabalha em outra rotação quando estou lá. Sempre volto com uma sensação de que tomei algum energético na veia depois de visitar a cidade. Algumas pessoas não devem entender o meu silêncio contemplativo enquanto me desloco pelas ruas. Não tem nada a ver com deslumbramento com o tamanho dos prédios, da cidade ou com a quantidade de gente. O silêncio é só para escutar melhor o que a alma da cidade sussurra no meu ouvido.
10.12.06
Ainda sobre lembranças do Natal, além da arrumação da árvore, Natal lá em casa lembra: faxina no dia 24 (meu pai só resolvia pintar a casa no dia 24 e ficávamos até pelo menos às 18h limpando tudo), refrigerante (que apenas em aniversários e fim de ano aparecia), disco do Roberto Carlos tocando (todo ano meu pai dava o novo lp do Rei para a minha tia) e a parte mais gostosa: esperar arrumado a visita dos parentes, amigos, vizinhos e afins. Era um entre e sai de gente, de povo conhecido passando pela porta e desejando feliz natal...Muito bom. E para quem gosta das lembranças vale a pena entrar no site http://casadachris.uol.com.br e ler também um texto sobre como o presépio perdeu lugar na decoração natalina. Além de ver dicas legais de decoração e afins para sua casa.