Poção de Palavras

30.12.06

Cidade Natal

O calor,
o sono depois da praia,
cheiro de castanholas.
Coisas familiares que parecem estranhas
Coisas que não mudam
Coisas que mudam rapidamente
e não deixam saudades.
Nada disso é poesia,
mas depois de dez dias
rimo com a palavra
cidade.

21.12.06

Sempre volto de São Paulo revigorada. É sempre uma felicidade ver aquele monte de concreto, o caos, o trânsito, a pressa. Pode parecer loucura, mas é o que sinto. É pôr o pé na cidade para sentir a vida fluir, algo que obriga o movimento, a ação, não sei explicar bem. O que sei é que meu cérebro acende uma luzinha, trabalha em outra rotação quando estou lá. Sempre volto com uma sensação de que tomei algum energético na veia depois de visitar a cidade. Algumas pessoas não devem entender o meu silêncio contemplativo enquanto me desloco pelas ruas. Não tem nada a ver com deslumbramento com o tamanho dos prédios, da cidade ou com a quantidade de gente. O silêncio é só para escutar melhor o que a alma da cidade sussurra no meu ouvido.

10.12.06

Ainda sobre lembranças do Natal, além da arrumação da árvore, Natal lá em casa lembra: faxina no dia 24 (meu pai só resolvia pintar a casa no dia 24 e ficávamos até pelo menos às 18h limpando tudo), refrigerante (que apenas em aniversários e fim de ano aparecia), disco do Roberto Carlos tocando (todo ano meu pai dava o novo lp do Rei para a minha tia) e a parte mais gostosa: esperar arrumado a visita dos parentes, amigos, vizinhos e afins. Era um entre e sai de gente, de povo conhecido passando pela porta e desejando feliz natal...Muito bom. E para quem gosta das lembranças vale a pena entrar no site http://casadachris.uol.com.br e ler também um texto sobre como o presépio perdeu lugar na decoração natalina. Além de ver dicas legais de decoração e afins para sua casa.

3.12.06

Por ossos do ofício, quando estou no trabalho escuto a CBN o dia todo. É muito útil, porque além de não ter que parar para ler as notícias, a rádio acaba pautando outros veículos. E sempre fico sabendo também de lançamentos de cds e filmes. Numa dessas tardes, escutava o comentário do colunista sobre o cd “Live in Paris”, de Diana Krall. Não era lançamento, mas um cd de 2002 com regravações. Aí escutei um trecho de “Fly me to the Moon”, que já havia escutado na versão de Frank Sinatra. Tão linda!! Aí fiz algo que é raro acontecer: fiquei maluca para ter o cd. Não anotei o nome enquanto escutava o comentário e comecei a catar na internet. Achei. Depois procura nas lojas. Achei! Vim com o cd para casa parecendo criança. Da cantora sabia quase nada, do restante das faixas também. Compra por impulso, o que é raríssimo acontecer comigo, repito. Mas não me arrependi, ultimamente escuto ele direto. Meus vizinhos devem estar querendo me explusar do prédio. Para ficar melhor só falta uma taça de vinho e a companhia de um belo moreno. Tim, tim!

1.12.06

Olhando as vitrines e as patreleiras abarrotadas com enfeites para o Natal me deu saudade. Dos antigos arranjos natalinos. Lá em casa tinha uma caixa de bolas que ficava sob a guarda da minha tia. Acho que alguns lembram daquelas bolas antigas que quebravam só com o pensamento. Tinha umas estranhíssimas com formato de suspiro, umas compridas como um pingo d’água caindo e as tradiconais redondas de vários tamanhos e cores. A decoração ficava embalada o ano todo e só era vista novamente no Natal do ano seguinte. Era algo meio mágico, bater a poeira e relembrar como eram os enfeites. Hoje arrumei a minha. Enfeites de madeira, sinos, bolas e luzes. Uma graça. Aí percebi que não era saudade dos antigos enfeites o que eu sentia, mas do ritual da arrumação. É estranho arrumar sozinha, não é a mesma coisa. De qualquer forma, ao decorá-la resgatei um pouco da magia que ficou no tempo. Deu até para espirrar com o pó da embalagem dos velhos enfeites do passado.