Devia ter mais de 60 anos, o vestido marrom com estampa florida, um casaquinho de lã bege, uma sapatilha de tecido preta. Na cabeça um lenço rosa amarrado de modo antigo. Ela caminhava vagarosamente puxando um carrinho desses de levar para feira com algumas sacolas dentro. Vinha do mercado era o que dava para perceber. Antes de atravessar a rua parou. Não vinha nenhum carro na pista. Deve ter se cansado, pensei. Talvez precisasse de ajuda para atravessar. Então enfiou a mão na bolsa em busca de algo. Coitada, deve ter perdido ou esquecido algo no trajeto, imaginei. Enfim ela parece que achou o que procurava e ao retirar a mão da bolsa trouxe junto um celular. Atendeu a ligação, depois de alguns minutos desligou, guardou o celular e no seu passo lento atravessou a rua. Comecei a rir sozinha. Preciso rever meus conceitos.
